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terça-feira, janeiro 03, 2017

Olá Sonhadoras(es)!


Eis a primeira publicação do ano!

Espero que este Novo Ano tenha começado da melhor forma para todos vós.

Mais um ano de luta, de sonhos por concretizar, de trabalho e certamente de bons momentos para recordar no futuro e outros tantos para guardar como aprendizado.

Agora, vamos ao que me trouxe até aqui...


Ontem, deparei-me com duas imagens que surgiram no meu feed de notícias do facebook. Não me recordo por quem foram partilhadas, mas de algum modo me tocaram e não resisti a guardá-las no telemóvel. Assim, surgiu mais uma razão para escrever e partilhar um pouco de mim e da minha vivência.


Ao longo dos anos e muito devido às diferentes universidades e cursos que frequentei fui conhecendo imensas pessoas. Neste momento, poderia ter um leque de amizades bastante vasto e alargado, o que na realidade não se verifica. Por várias razões, mas acima de tudo pela fase depressiva que vivi (a qual ainda está presente na minha vida) não tive a capacidade de "segurar", manter o contacto com todos aqueles que fui conhecendo e que marcaram a minha vida. De certo modo, fui abençoada pois cruzei-me com excelentes pessoas ao longo dos anos. O meu maior desafio foi cuidar destas relações, de lhes dar tudo aquilo que necessitam para crescer e florescer, para se tornarem mais fortes e sólidas, quem sabe em amizades para toda a vida. A Dee fez-me ter comportamentos que em nada se coadunam com quem ambiciona manter uma amizade. Isolei-me vezes sem conta, deixei de atender telemóveis, responder a emails e mensagens, de estar presente em convívios e tornei-me um bichinho do mato que vivia apenas no seu pequeno mundo. Não conseguia e creio que, no fundo, não queria ver para além disso! Evitei ao máximo ser confrontada com a realidade, com o meu fracasso. Quem me rodeava evoluía a olhos vistos e eu permanecia estagnada e sem forças ou vontade de lutar. Era uma dualidade de sentimentos! Ficar feliz por as(os) ver crescerem e extremamente infeliz por ser incapaz de os acompanhar ao longo da caminhada. É sentir que constantemente ficava aquém do que desejava e cada vez mais longe dos que me rodeavam. O afastamento começou por ser gradual, até que a certo ponto se tornou definitivo ao ponto de passarem vários anos sem manter qualquer contacto. 
Há cerca de 6 anos, tentei uma reaproximação de um grupo de amigas que tinha sido bastante significativo no final da adolescência e início da idade adulta. Foi uma das decisões tomadas aquando da minha saída da clínica onde estive internada na tentativa de debelar por completo a depressão, o transtorno obsessivo-compulsivo, entre outros problemas que até então tornavam a minha vida num inferno. Lembro-me que, quando regressei a casa, andei meses a adiar o reencontro apesar de já ter sido efectuado o primeiro contacto e de ter mostrado interesse em voltar a revê-los. Creio que andei quase um ano no "vai não vai", adia e volta a remarcar, até que lá ganhei coragem e voltamos a estar juntos. Foi uma sensação estranha, admito! Um pouco desconfortável para mim. Senti-me um "peixe fora de água", uma outsider. Tinham passado os últimos anos juntas e vivido tanta coisa em conjunto da qual eu não fizera parte que me senti como se estivesse pela primeira vez a entrar num grupo já formado e coeso. Tenho a certeza que tentaram de tudo para que eu me sentisse bem e recebida da melhor forma, não duvido disso, mas aquilo que senti foi simultaneamente doce e amargo. Bom por as rever, penoso por constatar que muita coisa mudou, cada uma à sua maneira e, obviamente eu não tinha sido excepção.
Cresci e amadureci da pior forma, pelo menos da mais dolorosa, que foi através da dor, do sofrimento causado pelas situações que vivi e pelo ciclo vicioso do qual ainda não tinha conseguido sair na totalidade. Aquando do meu internamento, conheci e presenciei realidades tão diferentes da minha que me obrigaram a reestruturar muitos dos meus pensamentos, a começar a perspectivar a vida de uma outra forma, a perceber que havia vida fora do casulo criado pelos meus progenitores e mais tarde por mim mesma durante o período de isolamento, vidas completamente antagónicas, dispares  e ditas "disfuncionais" (cada um há sua maneira, a minha também era tudo menos funcional!) das quais nunca me tinha aproximado devido à enorme protecção exercida pela família nuclear. Vidas que eu sabia que existiam, mas que desconhecia quem estava por trás das mesmas, o que as tinha levado a tais comportamentos desviantes e que no fundo eram tão similares à minha. Por diferentes vias, todos chegamos ao mesmo local. Apesar de termos problemas de saúde que diferiam uns dos outros, o resultado era o mesmo: a inadaptação social, não nos sentirmos integrados na sociedade, vivíamos num mundo à parte dos demais com comportamentos destrutivos quer do próprio quer de quem nos rodeava e com tudo o que isso acarretava nas nossas vidas.
Foi neste local que despertei para uma realidade completamente diferente e me redescobri. Encontrei um Eu que me surpreendeu quando percebi que o meu caminho deveria ser outro, que não estava feliz e teria de procurar outro rumo que me realizasse. Ainda demorei um ano para perceber qual era a via que deveria tomar, tive apoio e orientação psicológica que me ajudou imenso. Aliás, nesta altura apareceu na minha vida um "anjo" - a psicóloga que me seguiu durante este processo e me impulsionou a lutar pelo que queria apesar dos obstáculos que iriam surgir.

Não tem sido fácil, nada mesmo! Muitos tropeções pelo caminho, muito choro, mas sei desta vez sei que o caminho é este!

Quanto às amizades que anteriormente referi, ficaram pelo caminho. Não senti a conexão de outrora e optei por novamente me afastar. No entanto, reconheço o quanto foram importantes na minha vida! Durante os anos em que estiveram presentes, posso garantir-vos que foram dos mais felizes da minha vida. Pela primeira vez, após anos em que me sentia o patinho feio e vítima de bullying, senti que fazia parte de algo, que tinha amizades verdadeiras e que podia contar com elas para tudo. Tive o sentimento de pertença a algo maior, o que me trouxe segurança e conforto. Foram bons anos, ficam as memórias muitas das quais excelentes, a cumplicidade, o ser "unha com carne", saber exactamente o que o outro está a pensar e verbalizá-lo naquele instante. 
Contudo, a vida mudou-nos e não me revi no grupo que reencontrei. Tiveram um papel de suprema importância em parte da minha vida e, quanto a isso, nada nem ninguém o retira ou substitui. Fizeram parte da minha estória, e permanecem nas memórias dessa fase da minha vida, mas ficam lá. Não podem ser transpostas para a actualidade, seguimos rumos diferentes, mudamos, não somos mais as mesmas adolescentes e/ou jovens no início da fase adulta a vivenciarem o típico turbilhão de emoções e experiências característico desta etapa. Crescemos juntas, mas acabei por seguir uma via diferente que, como tal, me levou a outros locais, me transformou e reformulou, me fez quem hoje sou ainda que incompleta e com muito para viver, aprender e construir!


Nem todos me acompanharam durante este trajecto, porque se afastaram, porque os afastei e por uma variedade de outras razões. Não os esqueço, especialmente o bem que me fizeram e os sorrisos que colocaram no meu rosto. Percorremos caminhos divergentes, mas espero com toda a sinceridade e humildade, que o final seja o mesmo: Que todas(os) sejamos felizes, realizadas, completas e que possamos construir algo bom à nossa volta!

Um grande beijo para vocês e um daqueles meus abraços bem apertadinhos!
Até breve!!

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